Karl Ove Knausgård – Minha Luta 1, 2 e 3

Karl Ove Knausgård | Foto: Axel Öberg

Se você olhou para a imagem acima e não reconheceu de cara de quem se trata, ou você não é muito ligado no mundo literário ou esteve vivendo numa bolha nos últimos anos. O Karl Ove Knausgård é um fenômeno, autor da série de 6 livros autobiográficos Minha Luta, publicada entre 2009 e 2011 na Noruega, e que, desde então, vem arrebatando uma legião de fãs no mundo todo, incluindo outros escritores célebres como Jeffrey EugenidesZadie Smith

Eu estava reticente antes de começar a ler a série, publicada por aqui pela Companhia das Letras. Sou bem avessa e costumo passar longe dessas leituras “da moda”, mas, ao mesmo tempo, estava super curiosa a respeito do autor, que vinha sendo comparado a Marcel Proust, um escritor que eu admiro e uma das muitas influências de Knausgård. Mas, ao contrário de Proust, cujo estilo é inegavelmente construído e meticulosamente calculado, os livros da série Minha Luta são crus, ultra realistas e esmiuçam todos os aspectos da vida do escritor, mesmo os mais embaraçosos e comprometedores.

Eu praticamente respirei os três primeiros livros da série. Karl Ove (como ele prefere ser chamado) escreve sobre si mesmo de maneira tão honesta e devastadora , que é impossível não sentir empatia ~ e também uma espécie de identificação, mesmo que os fatos narrados estejam tão distantes da sua realidade. O New Republic resumiu muito bem essa sensação quando disse que “ler Minha Luta é como abrir o diário de alguém e encontrar os seus próprios segredos“.

Karl Ove Knausgård - Minha Luta 1 - A Morte do Pai | Não Me Mande Flores

Minha Luta 1 – A Morte do Pai, por Karl Ove Knausgård – tradução de Leonardo Pinto Silva
408 páginas • título original: Min Kamp 1 • Companhia das Letras

Nesse primeiro volume Karl Ove investiga a própria juventude e narra o processo destrutivo que levou o seu pai a arruinar o núcleo familiar, culminando na sua morte. O autor investiga também o próprio presente: aos 39 anos, pai de três filhos, numa luta diária para escrever seu novo romance em meio à rotina familiar exaustiva e cheia de angústias.

 ∵ Americanas | Livraria CulturaSaraivaSubmarino ∵

Karl Ove Knausgård - Minha Luta 2 - Um Outro Amor | Não Me Mande Flores

Minha Luta 2 – Um Outro Amor, por Karl Ove Knausgård – tradução de Guilherme da Silva Braga
592 páginas • título original: Min Kamp 2 • Companhia das Letras

Depois de se separar da primeira mulher, Karl Ove deixa Oslo e se muda para Estocolmo, onde começa uma nova vida. Lá reencontra Linda, uma antiga paixão que o arrebatara durante um encontro de escritores anos antes e começa uma amizade profunda com Geir, colega escritor com quem vai morar nos primeiros dias na cidade. O livro também explora a descoberta da paternidade e os sentimentos conflituosos do escritor, que tem dificuldade em conciliar a vida em família com suas ambições literárias.

∵ Americanas | Livraria CulturaSaraivaSubmarino ∵

Karl Ove Knausgård - Minha Luta 3 - A Ilha da Infância | Não Me Mande Flores

Minha Luta 3 – A Ilha da Infância, por Karl Ove Knausgård – tradução de Guilherme da Silva Braga
440 páginas • título original: Min Kamp 3 • Companhia das Letras

Esse terceiro volume da série é dedicado à infância e a construção da identidade. Esses anos iniciais da vida são especialmente aterrorizantes para o jovem Karl Ove, que tem medo do barulho da água correndo nos canos, medo de assombração, medo do cachorro do vizinho e das raposas selvagens ~ e medo, especialmente, do pai. Conhecemos mais a fundo o universo familiar do autor, na figura benevolente da mãe e na figura tirânica do pai.

∵ Americanas | Livraria CulturaSaraivaSubmarino ∵

No universo de Knausgård, as fronteiras entre a memória e a ficção se misturam a tal ponto que a sua própria vida é recriada e ressignificada. Saltos no tempo, digressões (longuíssimas) e flashbacks pontuam os diferentes momentos da narrativa, demonstrando o total controle e talento do autor. Não se engane, você não vai conseguir parar de ler.

A série tem sido de rodeada de controvérsias, a começar pelo título Min Kamp, deliberadamente emprestado da autobiografia de Adolf Hitler Mein Kampf ~ e cujos paralelos foram esmiuçados nesse artigo do The New YorkerKnausgård também enfrentou ameaças de processos e indignação por parte de familiares e amigos, que não gostaram nem um pouco de ter suas vidas expostas de maneira tão incisiva e impiedosa. Mesmo que, no final das contas, quem acabe completamente exposto é o próprio autor.

O Minha Luta 4 – Uma Temporada no Escuro foi lançado há pouco tempo aqui no Brasil e estou esperando (ansiosamente) pela chegada dos outros dois volumes, para ler tudo de uma vez só, como fiz com esses três primeiros. Para quem quiser saber mais detalhes sobre a série, recomendo esse excelente artigo (já mencionado anteriormente), escrito pelo Evan Hughes para o New Republic, que faz um bom resumo da história toda ~ sem apelar para o sensacionalismo, como eu tenho visto (e muito) por aí.

 

Mais Knausgård:

Esse vídeo do WNYC é uma pequena introdução ao universo do escritor, cinco minutinhos de Karl Ove para quem está chegando agora e ainda não está por dentro das suas influências e inspirações.

(Eu ia compartilhar esse vídeo do VICE, mas o entrevistador é tão ~ fucking ~ grosseiro e desagradável, interrompendo o escritor o tempo TODO, que fiquei com antipatia. Assistam por sua conta e risco).

Karl Ove esteve no Brasil esse ano para a FLIP e deu muitas entrevistas por aqui. Ele participou de um encontro com o pessoal da Companhia das Letras em São Paulo, que resultou nesse bate-papo bacana ~ e especialmente interessante para quem já leu ou está lendo a série. 

No ano passado o New York Times propôs que o escritor viajasse até Newfoundland, visitasse o local onde os Vikinks se estabeleceram e, em seguida, alugasse em carro e dirigisse até Minnesota nos EUA, onde a maioria dos imigrantes noruegueses se fixaram. O resultado foi um grande artigo em duas partes: My Saga, Part 1 e My Saga, Part 2Karl Ove Knausgård’s Passage Through America. Sensacional!

∴ info ∴
A foto do Karl Ove Knausgård na abertura do post é do Axel Öberg.

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51 Comentários

  1. Julie Chagas disse:

    Nunca li os livros, mas me despertou interesse!
    Dica anotada :)

  2. Maria Ladeira disse:

    Obrigada por dar a conhecer!
    Bj

  3. Alba disse:

    Oi,
    Eu conheci o autor, mais tinha um certo receio de ler os livros. Mas depois da sua resenha, vou me aventurar nessas leituras..

    Beijos ⚪️🔴🔵

  4. Branca disse:

    Mds acabei de conhecer o blog e já estou amando!
    Amei o post!
    Beijos

  5. Vanessa disse:

    Ao meu ver, é um Autor riquíssimo em conteúdo!!! Fiquei super interessada na obra dele!

    Bjinhos ❥

  6. VANESSA BRUNT disse:

    Que delícia de indicação e como é maravilhoso mergulhar em mais das suas emoções através de tal tópico, Mi! Não conhecia o autor e nem as suas obras, mas fiquei imensamente curiosa para ler. Fica claro que o que ele faz é arte de fato, são verdades compiladas na intenção de expurgar e refletir enquanto deságua e descobre mais de si e dos entornos. Imagino o tanto de conexões e lições que cada linha e entrelinha dele comportam. Fiquei super curiosa para cair nas reflexões que ele agrega sobre os quesitos tão variados que agrega, indo desde esses pontos mais íntimos até os que podem caber como mais sociais. Adorei a proposta!

  7. Luly disse:

    Eu realmente tô por fora =( Odeio isso!
    Não tinha ouvido falar dos livros dele ainda, mas fiquei mega curiosa, principalmente por causa dessa comparação com Proust!
    Bateu um interesse, hahaha!

  8. Claudia Hi disse:

    Eu nunca tinha ouvido falar nesse autor! haha

    Pra ser sincera não sei se eu gostaria dos livros pela temática, mas pelas suas palavras parece ser uma leitura tão “fácil”. Quando tiver oportunidade vou ler o primeiro volume. Vai que eu gosto! rs

  9. Eu vi um artigo sobre ele em algum lugar essa semana, talentoso e gato olha só kkkkk.

  10. Thayse disse:

    Gente, eu fiquei arrepiada com sua resenha, sério. E acho que eu tô numa bolha mesmo, porque não me lembro de ter ouvido falar dele! Que incrível, quero muito ler.


    Beijos

  11. Uau, que capas maravilhosas!! Sim, os livros começam a me conquistar por elas, haha.

  12. Olá,
    Não conhecia não. Acho que é porque não faz muito meu estilo literário.
    Beijo

  13. Taay disse:

    Uaau, não conhecia essa série de livros ! Mas parece incrível, fiquei extremamente curiosa pela leitura. bjuxx

  14. grazi disse:

    eu não conhecia essa série mas esse post despertou meu interesse para ler os livros! Devem ser mt bons mesmo!

  15. Não conhecíamos o autor e seus títulos, parecem ser bem envolventes, pois trata da vida dele de maneira bem verdadeira.

    Beijos

  16. Duds disse:

    Cara, como que eu nunca tinha ouvido falar?! Fiquei muito, muito interessada em toda a série. Achei até estranho ficar tao interessada numa ‘biografia’ de quem nem conheço, mas só as sinopses já me encantaram <3

  17. Eu nunca ouvi falar dele, mas eu vivo numa bolha, então é de se esperar!
    Eu fiquei curiosa, quero ler algo quando der. O meu problema é que eu amo ler clássicos e dai acabo sem ler nada mais atual, o que é não ruim, mas deixa perdida no tempo…

    Um beijo

  18. Oi, Camila!

    Não conhecia esse escritor, mas os livros parecem bem interessantes!!

    Abraços, Cris

  19. Priih disse:

    Oie, tudo bem?
    Adorei o post super completo, mas não é uma leitura que tenha me instigado. =/
    Beijos,

    Priscilla

  20. Oi Camila!!!
    Primeiramente, respondendo seu comentário no blog: eu nao assisti Lugares Escuros, pois eu já achei o trailer horrível, logo fiquei com preguiça de ver.

    Segundo, sou que nem você. Não gosto de livros da moda! Mas eu já tinha ouvido falar e já li um pouco sobre Karl, mas nunca li nada :o Eu quero muito ler depois do que você escreveu :3 acredito que valerá a pena.

    Bjs, Carol | Espilotríssimo

  21. hellz disse:

    Camila!

    acho que eu andava numa bolha porque eu não conhecia o karl! HAHAHAH na verdade, até pras coisas na minha própria cidade as vezes eu sou meio alheia, então perdoa.

    Se você teve essa reação aos livros, de respirá-los, não precisa dizer mais nada. Deve ser A obra! Quero ler agora :B

    beijo

  22. Carol disse:

    Fiquei com muita vontade conhecer os livros. Adorei a dica.
    Beijos

  23. Jeans Rasgado disse:

    Achei muito interessante Camila! Não conhecia o escritor, acho que estava em uma bolha mesmo rsrs.

  24. nnt disse:

    Já ouvi falarem maravilhas desse autor e de seus livros. Tenho os dois primeiros aqui e conheci por indicação da Iza, e espero ler logo. Espero gostar.

    Um abraço.

  25. Carolina R. disse:

    Não o conhecia, mas me parece bem profundo e interessante
    bjs

  26. Váh disse:

    É, eu realmente não sou ligada no mundo literário hehe :/

  27. wanessa disse:

    Não conhecia, Camila!
    Dica de leitura imperdível, vou jogar lá pra dezembro pra ler :D
    bjoka

  28. Aline Amorim disse:

    Estava morando em uma bolha! Não sabia desses livros.
    Amei as resenhas. Quero ler!
    Beijos

  29. Betty Gaeta disse:

    Oi Camila,
    Normalmente eu passo longe de livros sequenciais, pois são caça níqueis, mas estes parecem ser diferentes! Vou procurar.
    Bjs

  30. Natz Sodré disse:

    Minha prima está lendo e está simplesmente apaixonada, eu não tinha me interessado pelos relatos que ela conta, confesso, mas depois do seu post Cá, tão completinho.. Fiquei curiosa.. Beijokas :)

  31. Oi Cá! Eu tinha lido bem por cima sobre isso e lendo por aqui achei muito mais interessante. Gosto muito de histórias reais e coloco aqui na lista pra um dia ler. Já aproveito pra avisar que lá no blog saiu sobre “Os Afogados e os Sobreviventes”.
    Beijoo

  32. Acho que eu estava vivendo numa bolha porque por mais que eu tente me lembrar, não me vem muita coisa em mente sobre a série de livros. Mas o autor eu reconheci pela foto “)

    Fiquei curiosa e desejei ler as obras indicadas, mas agora não posso, preciso muito terminar meu TCC!
    hahahahahahaha

    Beijos mil, Amanda!

  33. *Camila me perdoa!!! Acabei de sair do blog de uma amiga chamada Amanda e fiquei com o nome em mente.
    Perdão!
    =x

    Beijos mil, Camila!

  34. Clara disse:

    Cami, acho que não sou uma grande conhecedora no mundo literário. Pois não conhecia esse autor! E agora que li o seu post, me sinto uma completa idiota por nunca ter lido algo dele. Por isso mesmo tenho tentado mudar minha forma de leitura, para eu não ficar tão presa a livros tão juvenis. E amei demais, tudo o que você escreveu. Eu me senti conectada com o autor de certa forma, e a parte que você fala sobre diário, deve ser bem interessante. Estou animada para comprar :D

  35. thiago disse:

    – Não sei pq mas senti um cheirinho de Kafka mimado ai.. rs.. Vou ler esse trem não Camilex medo desse livro ser uma ayahuasca literária pra mim. bjao procê freak

    • Camila Faria disse:

      O Karl Ove não tem muito de Kafka não ~ talvez exista um pequeno paralelo na relação conflituosa de ambos com o pai, mas that’s it. Acho que a comparação com a Ayahuasca foi bem feliz, tenho a impressão de que os livros podem produzir os mesmos efeitos poderosos e transformadores na nossa mente. Hahaha! Beijo :*

  36. Roberta Maia disse:

    Fiquei louca pra ler, amo histórias da vida real… Vou agora pesquisar tudo!

    Obrigada pela dica valiosa, Camila!

    Beijo grande!

    Beta

  37. Eu nunca tinha ouvido falar do autor :O Mas fiquei super curiosa pra ler algo dele porque gosto de história da vida real!
    Beijos

  38. Já vi muita gente falando do Karl mas até o momento não tinha parado para ler nada sobre os livros dele. Quando vi que você ia comentar do geral, comecei a ler o post e agora, sem dúvidas, a vontade real oficial chegou.
    Vou ler Karl Ove.
    beijos!

  39. Alê disse:

    Acompanho alguns canais literários no YouTube e esse autor tah bem no hype. Claro que fui ler o artigo da New Yorker pq fiquei com a mesma pergunta na cabeça: pq colocar o mesmo título da autobiografia do Hitler? O artigo conseguiu esclarecer isso. Quem sabe um dia leio essa série, mas antes preciso ler a do Proust.

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