Os quatro últimos… livros

Mini-resenhas dos livros: As Bruxas da Noite (Ritanna Armeni) e América Latina Sob Fogo Cruzado (Mary Jo McConahay) | Não Me Mande Flores

1. As Bruxas da Noite, por Ritanna Armeni – tradução de Karina Jannini
248 páginas • título original: Una donna può tuttoSeoman

Toda a beleza, a peculiaridade e a genialidade de um regimento feminino na aviação soviética, cujo corpo militar era TODO formado por mulheres (pilotas, mecânicas e também na administração e no comando), responsável por infernizar a vida dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Foram estudantes, operárias, camponesas, granjeiras, vendedoras, doceiras… mulheres que lutaram contra a mentalidade de que deveriam servir a pátria apenas como esposas, mães, enfermeiras ou telefonistas. Mulheres que fizeram da guerra uma oportunidade para emancipação e que se aproveitaram do conflito para ampliar a própria esfera de liberdade (vejam só o paradoxo). Os nazistas as chamavam de “bruxas da noite” porque surgiam entre meia-noite e a alvorada, silenciosas ~ desligavam os motores momentos antes do ataque ~ e ágeis. Os aviões que pilotavam eram velhos e pouco sofisticados, porém fáceis de manejar e difíceis de serem identificados à noite. O livro reconta a trajetória das bruxas através das memórias da última delas (Irina Rakobolskaja, então com 96 anos) e revela como elas tiveram o seu papel de liderança deliberadamente apagado da história após a guerra. Uma história (e um livro) cativante, que reafirma ~ nas palavras da coronel e heroína nacional Marina Raskova ~ que uma mulher é capaz de tudo.

Compre esse livro!

2. América Latina Sob Fogo Cruzado, por Mary Jo McConahay – tradução de Mário Molina
392 páginas • título original: The tango warSeoman

Segunda Guerra Mundial, esse tema que me parece quase inesgotável, ganha novos ares latinos nesse livro-investigação da jornalista Mary Jo McConahay, focado especificamente no papel fundamental da América Latina como fonte de recursos, riquezas diversas na forma de matérias-primas e espionagem. Basicamente é um livro sobre como fomos absolutamente (e vergonhosamente) explorados, tanto pelo Eixo quanto pelos Aliados, que viam a região como uma oportunidade de alimentar livremente suas máquinas de guerra. Histórias fascinantes e, ao mesmo tempo, revoltantes ~ confesso que eu ficava furiosa ao final de cada capítulo. São particularmente interessantes para o público brasileiro os capítulos sobre a exploração da borracha na selva amazônica (com destaque para a Fordlândia, projeto megalomaníaco de Henry Ford que desmatou mais de 10 mil quilômetros quadrados de floresta tropical), as visitas de Walt Disney e Orson Welles ao Rio de Janeiro e a participação de soldados brasileiros na tomada do Monte Castelo na Itália (uma mistura de drama com comédia pastelão). Um desses livros que a gente termina com a sensação de *porque eu não aprendi isso na escola?*.

Compre esse livro!

Mini-resenhas dos livros: Mythos (Stephen Fry) e Frankenstein (Mary Shelley) | Não Me Mande Flores

3. Mythos, por Stephen Fry – tradução de Helena Londres
368 páginas • Planeta

Se você pudesse convidar qualquer personalidade para abrilhantar um jantar (uma reunião ou uma festa), quem é a primeira pessoa que passa pela sua cabeça? A minha resposta: sem dúvida, Stephen Fry. O Stephen Fry é uma dessas pessoas tão inteligentes, tão eloquentes e tão amáveis, que é difícil não ficar fascinado por ele e pelo que ele tem a dizer. Quando o assunto é um dos seus favoritos, mitologia grega nesse caso, a satisfação é ainda maior. Nos textos de Fry, os mitos e lendas da Grécia Antiga se aproximam da vida como nós a conhecemos hoje: são histórias absolutamente divertidas e acessíveis, cheias de detalhes surpreendentes, cômicos, trágicos e encantadores. Como ele mesmo esclarece no prefácio, não há nada de acadêmico ou intelectual a respeito da mitologia grega ~ e a sua maneira de contá-la a torna especialmente interessante. O mito de Pandora, por exemplo, se transforma num conto envolvente, cheio de mistério, angústia e desespero. Vejam por vocês mesmos nesse vídeo narrado pelo próprio autor (em inglês). Sensacional. Torcendo para que a Editora Planeta publique também por aqui o Heroes, segundo volume dessa série, dessa vez sobre Mortais e Monstros, Missões e Aventuras.

Compre esse livro!

4. Frankenstein; or, The Modern Prometheus, por Mary Shelley
192 páginas • Ns English

Um clássico da literatura fantástica (considerado por alguns o primeiro livro de ficção científica da história), publicado em 1823 por uma jovem Mary Shelley, de apenas 18 anos. Dr. Victor Frankenstein é um médico obcecado por criar vida a partir de partes de corpos enterradas em cemitérios e acaba gerando um monstro assustador e cruel. Uma dessas histórias que, mesmo antes de ler, a gente já tem uma noção do que se trata, certo? ERRADO. Eu me surpreendi demais com a história, que tem pouco a ver com terror e medo ~ e muito mais a ver com abandono, solidão e, especialmente, rejeição. Jamais imaginei que sentiria pena e até simpatia pelo monstro, graças aos capítulos incríveis em que Shelley descreve o desejo e as tentativas (vãs) da criatura de entender e se tornar “humano”. Tristíssimo. O livro faz parte de uma coleção da Editora Novo Século de clássicos da literatura em inglês, que tem uma proposta muito bacana: fazer com que a experiência do leitor seja o mais próxima possível da que o autor quis passar. Eu adorei ler no original (o livro é super curtinho) e já quero ler outros títulos da coleção!

Compre esse livro!

O que vocês têm lido de bom ultimamente?
Confira outros títulos na Bibliolove – a biblioteca virtual do blog!

|

Orange Mood: Ana Popescu

Orange Mood: Ana Popescu collaboration with the artist Kreineckers
Orange Mood: Ana Popescu collaboration with the artist Kreineckers
Orange Mood: Ana Popescu collaboration with the artist Kreineckers
Orange Mood: Ana Popescu collaboration with the artist Kreineckers
Orange Mood: Ana Popescu collaboration with the artist Kreineckers

Uma estampa linda, alegre e colorida ~ eu realmente adorei essa parceria da ilustradora Ana Popescu com as irmãs artistas (conhecidas como) Kreineckers. Algo me diz que estou com saudades do verão… :)

∴ info ∴
Ana Popescu website & instagram.
Kreineckers instagram & loja.

|

Os Pretty Patches da Pretty Useful Co.

Bad Apple Patch | Pretty Useful Co.
Pizza My Heart Patch | Pretty Useful Co.
Send Noods Patch | Pretty Useful Co.

Patches* e comidinhas = ♥
Just take my money Pretty Useful Co.. ;)

*patches são emblemas (geralmente bordados com linha de poliéster) que podem ser costurados em roupas, bolsas etc.

∴ info ∴
Pretty Useful Co. loja (entrega no mundo todo) & instagram.

|

Patavina (e seus sete gatinhos faceiros)

É numa dessas casinhas coloridas e simpáticas que mora Patavina e seus sete gatos serelepes. Doceira de mão cheia, Patavina nomeou os seus bichanos com delícias de várias partes do mundo ~ e não é que os seus gatinhos têm um apetite especial para todo tipo de guloseimas?

Um livro muito doce (literalmente!), que combina duas coisas favoritas aqui em casa: animais e culinária. A faixa etária indicada é a partir dos 6 anos, mas o meu filho de 2 anos e meio abraçou a história (ele está numa fase felina) e entende/curte todo o seu desenvolvimento. Talvez o texto seja um tiquinho complexo para uma criança menor, mas eu acredito que a leitura (e o interesse pela leitura) é uma questão de hábito ~ e palavras “difíceis” numa história são ótimas oportunidades de ensinar/aprender situações novas.

Curiosos para saber os nomes dos gatinhos da Patavina (e seus países de origem)?

Crème Brûlée (França)
Pastel de Nata (Portugal)
Belewa Mustafá (países árabes)
Bolo de Chocolate (Brasil)
Sanshoku & Mochi (Japão)
Qumbe (países africanos) Tapioca

O mais divertido é que, além de terem nomes de doces, cada gatinho tem sua predileção por iguarias: de goiabada a gelatina, só gostosuras! Difícil não ficar com fome depois de ler, viu? Eu precisei pesquisar dois docinhos, que eu nunca tinha ouvido falar antes de ler no livro, o Qumbe e o Sanshoku (que tem até emoji gente! ??), e agora estou aqui salivando, querendo experimentar os dois.

No final do livro Patavina nos presenteia com uma de suas receitas, escrita de forma muito linda e lúdica: biscoitinhos de chocolate e aveia! Eu fiquei na dúvida se a receita daria certo ou não na vida real, mas achei uma ideia incrível de atividade para fazer com as crianças: ler o livro e depois partir para uma aventura na cozinha. Criança geralmente ADORA “ajudar” a fazer receitas ~ é trabalhoso e faz uma sujeira danada SEMPRE, mas vale a pena ver a carinha de satisfação deles conferindo (e comendo) o resultado final. :)

As ilustrações da Rosinha são o complemento perfeito para o texto meigo e melódico (a narrativa é ritmada) da autora Penélope Martins. Cada gatinho tem um jeito e traços particulares; os desenhos brincam lindamente com cores e formas. E o livro ainda tem uma brincadeira-bônus: encontrar o ratinho Cereja, escondido em todas as páginas (tem até uma festa de aniversário para ele no final!).

Patavina faz parte da Coleção Trupe-Trinques da Editora do Brasil.
Estamos curtindo muito o livro por aqui! \o/

Patavina, por Penélope Martins e ilustrado por Rosinha
32 páginas • Editora do Brasil

Compre esse livro!

Confira outros títulos na Bibliolove – a biblioteca virtual do blog!

|

Os retratos minimalistas de Otto Kim

Otto Kim minimalist portrait | Não Me Mande Flores
Otto Kim minimalist portrait | Não Me Mande Flores
Otto Kim minimalist portrait | Não Me Mande Flores
Otto Kim minimalist portrait | Não Me Mande Flores
Otto Kim minimalist portrait | Não Me Mande Flores

Os retratos do Otto Kim são tão singelos e misteriosos… A gente fica com vontade de descobrir quem são essas meninas/mulheres, não acham?

∴ info ∴
Otto Kim instagram.
via imagem de perfil do blog da Julie (descobri por lá e me encantei).

|