Sézane – ‘Je ne sais quoi’ para todos

Sézane - CONRAD T-SHIRT | Não Me Mande Flores
Sézane - JUNE BASKET | Não Me Mande Flores
Sézane - AURORA DRESS | Não Me Mande Flores
Sézane - OLYMPE LOW SANDALS | Não Me Mande Flores
Sézane - CHLOÉ SHIRT | Não Me Mande Flores
Sézane - HEART SOCKS | Não Me Mande Flores

A ideia por trás da marca francesa Sézane é simples: criar peças de alta qualidade e corte perfeito, que possam ser usadas para sempre. Não sei se a durabilidade procede, só sei que, a cada nova coleção, a marca me deixa mais encantada. Sem dúvida, très chic.

Qual foi a sua peça favorita?

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Sézane website & instagram.

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Manual do Minotauro

Manual do Minotauro, Laerte - resenha do blog Não Me Mande Flores

Que maravilha poder ler todas as mais de 1500 tiras da incrível Laerte publicadas entre 2004 e 2015 de uma só vez, reunidas num belo livro. E o melhor: em formato grande o suficiente para valorizar o trabalho da artista (21 x 27 cm), sem tornar a leitura desconfortável.

Eu digo “de uma só vez” porque a minha experiência foi exatamente assim. Depois que comecei, não consegui mais parar. As tirinhas do Manual do Minotauro, são realmente impressionantes. São engraçadas, polêmicas, políticas… às vezes tudo isso ao mesmo tempo. Vivem envoltas numa aura de poesia e de liberdade, uma vez que Laerte decidiu deixar para trás as suas tão famosas personagens e, junto com elas, a necessidade de um roteiro pré-estabelecido e de uma gag final.

Mas esse também é um livro que pode ser lido aos poucos, dando o tempo necessário para cada tirinha penetrar fundo na alma e no coração.

Manual do Minotauro, Laerte - CAPITALISMO

Capitalismo

Me impressiona a capacidade da artista de brilhar em diferentes formatos e em diferentes temas, mas são as suas tiras de crítica social que mais mexem comigo. Elas são devastadoras e refletem a comicidade e o absurdo do mundo em que vivemos.

Manual do Minotauro, Laerte - GÊNERO

Gênero

“Ali pela virada do milênio senti chegar, entre insegura e ouriçada, o momento de explorar novas possibilidades. Falo da vida em geral, mas também do meu trabalho. O modo como vinha criando histórias – principalmente as tiras – me soava esgotado, como expressão pessoal. Eu queria mudar.” Laerte

Essa mudança na vida da Laerte se deu de forma realmente universal. Além dessa transformação na sua maneira de trabalhar as tiras, em 2010 a artista passou a se identificar como mulher transgênero.

Manual do Minotauro, Laerte - NORMALIDADE

Normalidade

O livro está realmente muito bonito. Não é uma leitura super leve: tratar de questões humanas não é um exercício fácil, uma vez que a abordagem tende a ser dolorida (e, por vezes, até pessimista). Mas o mergulho vale MUITO a pena.

Para quem tiver interesse na Laerte, para além das tiras, recomendo também assistir esse bate-papo da artista com a autora e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, em que elas conversam sobre o projeto do livro e outros assuntos relevantes/interessantes.

Manual do Minotauro, por Laerte
416 páginas • Quadrinhos na Cia.

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Blonde por Cj Hendry

Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry

Blonde é a oitava exposição solo da artista hiper-realista Cj Hendry, que explora as perucas como linguagem visual através de seus meticulosos desenhos criados APENAS com lápis de cor. O seu processo é realmente fascinante e o resultado final impressiona demais (imagina ao vivo!).

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Cj Hendry website & instagram.
via TRENDLAND.

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Colar de Croissant | Atelier VANROSA

Colar de Croissant | Atelier VANROSA

Rosa Marijn Oostveen é a designer por trás do Atelier VANROSA e a criadora desses maravilhosos colares de croissant. Eu amei essa versão pequenininha, mas também existe um modelo bem grandão, para quem curte uma peça mais ousada.

∴ info ∴
Atelier VANROSA instagram.
O pratinho lindo da primeira foto é do Studio Lenneke Wispelwey.

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Os quatro últimos… livros

Mini-resenhas dos livros: Uma Tristeza Infinita e Luz em Agosto | Não Me Mande Flores

1. Uma Tristeza Infinita, por Antônio Xerxenesky
256 páginas • Companhia das Letras

Nicolas é um jovem psiquiatra francês que se muda para uma minúscula e isolada vila na Suíça após o término da Segunda Guerra Mundial. É através das conversas com seus pacientes, a maioria lidando com traumas do pós-guerra, que ele vai se dando conta das próprias feridas ~ e da real possibilidade de estar pessoalmente afetado pelos distúrbios que julga não ser mais capaz de tratar nos seus pacientes. Paralelamente, o romance lida com o contraponto entre a ciência e o poder da psicanálise: as primeiras drogas contra a depressão (e outras doenças psíquicas) estão surgindo, mas Nicolas é reticente, não acredita que um remédio seria capaz de curar os transtornos da mente. As discussões sobre os traumas deixados pelo fascismo, sobre a tal tristeza infinita que não reconhece fronteiras, são absolutamente fascinantes e me atingiram em cheio como leitora, 70 anos depois, fragilizada pelos mesmos fantasmas do autoritarismo e da violência. Um livro introspectivo e riquíssimo, de temas e referências. Gostei muito.

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2. Luz em Agosto, por William Faulkner – tradução de Celso Mauro Paciornik
472 páginas • título original: Light in AugustCompanhia das Letras

As histórias de dois personagens trágicos e fortes (cada um a sua maneira) se cruzam nessa narrativa ambientada no sul dos Estados Unidos, na década de 30. Lena Grove é uma jovem grávida, que percorre o país sozinha e a pé em busca do pai da criança, que prometeu buscá-la quando se estabelecesse numa nova cidade, mas nunca deu notícias. Joe Christmas é um homem que se passa por branco aos olhos da sociedade, mas que desconfia ter origem negra. Um homem que frequentemente usa a violência para fugir de seus conflitos internos, especialmente contra as pessoas que tentam mudá-lo. Fiquei impressionadíssima com a construção dos personagens nesse livro icônico do Faulkner. A gente vai desvendando os detalhes das vidas de cada personagem, num primeiro momento, pelo que os outros tem a dizer sobre eles ~ mas descobre ao longo da narrativa que as aparências escondem preconceitos e ódios, que nada é tão simples quanto parece ser. O passado tem um peso quase real, que mantêm todos presos a antigos traumas, em rumo a uma decadência que parece inevitável. Paradoxalmente, o livro tem uma aura de poesia e de esperança ~ e o final divide opiniões: alguns enxergam redenção, enquanto outros identificam uma certa dose de ironia e as cicatrizes imutáveis dos conflitos raciais e sociais.

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Mini-resenhas dos livros: Ney Matogrosso - A Biografia e Senhor das Moscas | Não Me Mande Flores

3. Ney Matogrosso – A Biografia, por Julio Maria
512 páginas • Companhia das Letras

Eu já era fã do Ney Matogrosso, por todo o seu talento e pela sua ousadia, mesmo antes de conhecer a fundo a sua história e a sua trajetória como artista. Posso dizer que, depois de ler essa biografia admiro-o ainda mais. Escrita de maneira terna e eloquente pelo repórter e crítico de música Julio Maria, o texto flui de maneira prazerosa, mesmo quando entra em detalhes técnicos de shows e de escolha de repertório (o que pode ser repetitivo e, consequentemente, cansativo, se feito de maneira mecânica). Por não acompanhar de perto a carreira de Ney, desconhecia fatos incríveis e admiráveis, como sua passagem pelo teatro na juventude e seu sucesso na direção de shows icônicos da história do rock nacional: ‘Rádio Pirata’ do RPM em 1986 e a última turnê de Cazuza ‘O Tempo não Para’ em 1988. Uma biografia incompleta, é claro. Ney completou 80 anos em agosto de 2021 e, tenho certeza, ainda tem muito o que conquistar e mostrar ao mundo.

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4. Senhor das Moscas, por William Golding – tradução de Sergio Flaksman
216 páginas • título original: Lord of the flies • Alfaguara

Durante uma guerra nuclear um grupo de garotos britânicos que estava sendo evacuado para um local desconhecido fica preso numa ilha, após um desastre de avião. Com idades entre 6 e 12 anos, os meninos elegem um líder e tentam estabelecer regras, mas o ambiente isolado, não civilizado e sem supervisão acaba se tornando palco de uma disputa pelo poder que tem tudo para terminar em tragédia. Considerado um dos romances essenciais da literatura mundial, de alguma forma o livro tinha ficado fora do meu radar por todos esses anos. Não me entendam mal, eu SUPER entendi como a narrativa explora o lado sombrio da humanidade, o abandono dos valores da civilização, a escalada da violência etc., MAS achei a história um pouquinho arrastada e maçante, especialmente o meio. Também estranhei a escolha do autor por retratar apenas meninos e, depois de uma breve pesquisa, descobri que ele já havia se manifestado a respeito (claro): disse que “as mulheres são muito superiores aos homens e sempre foram” (aham), mas que “uma coisa que você não pode fazer é transformar um grupo de meninas numa espécie de imagem da civilização, da sociedade (oi? porque não? não foi exatamente isso que você fez com um grupo de meninos?). Também me incomodou o fato de que a única menção a algo feminino é quando o personagem Jack diz que os meninos pequenos “não caçam, não constroem nem ajudam em nada, são só um monte de mulherzinhas choronas“. Enfim, sexism alert. Eu adoro um livro clássico, mas acho importante ler com uma certa dose de reserva e atenção, lembrando que, sim, os tempos eram outros (o livro foi lançado pela primeira vez em 1954), mas a gente não precisa fingir que não viu quando algo nos deixa desconfortável.

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