Os quatro últimos… livros

Mini-resenhas dos livros: Ritos de Passagem (William Golding) e Motivos e Razões para Matar e Morrer (Reginaldo Prandi) | Não Me Mande Flores

1. Ritos de Passagem, por William Golding – tradução de Roberto Grey
216 páginas • título original: Rites of PassageAlfaguara

Minha segunda tentativa com um livro do autor ~ eu li recentemente o Senhor das Moscas, mas a experiência não foi muito positiva, infelizmente. Ritos de Passagem ganhou o Booker Prize em 1980, então a minha expectativa era super alta. A narrativa se dá na forma de um diário escrito pelo jovem dândi Edmund Talbot, que viaja num velho navio de guerra da marinha inglesa a caminho da Austrália, no início do século XIX. Os textos têm como objetivo informar e divertir o padrinho de Edmund na Inglaterra e, à princípio, tratam de temas leves e “divertidos”, como fofocas dos passageiros, marujos e oficiais e detalhes de suas aventuras sexuais à bordo. Um certo reverendo Colley começa a aparecer no diário, sempre ridicularizado por Edmund pela sua excentricidade e pelo seu desejo constante de agradar. É só quando o reverendo morre, de humilhação e vergonha, que percebemos que algo está BEM errado nessa história. Achei o livro bem morno, cheio de anedotas navais (que, particularmente não me interessam muito) e é só na parte final, no seu clímax de violência, que a narrativa se torna mais viva e impactante. O curioso é que eu tive exatamente essa mesma impressão de Senhor das Moscas, seu livro mais icônico. Para mim, foi a prova de que um autor ou livro premiado não necessariamente vai fazer a sua cabeça ~ e tudo bem. :)

2. Motivos e razões para matar e morrer, por Reginaldo Prandi
336 páginas • Companhia das Letras

Inicialmente, o que me chamou atenção a respeito desse livro foi, sem dúvida, o seu título super dramático e a perspectiva de uma história cheia de intriga e mistério ambientada no interior do Brasil na década de 50, conforme sugeria a sinopse. Eu tinha acabado de ler um livro com esse mesmo clima de cidade pequena, o excelente Crônica da Casa Assassinada do Lúcio Cardoso e achei que pudesse ter uma nova experiência positiva com essa temática bem brasileira. Infelizmente não foi o caso. A história é fraca e os arcos dos personagens não são suficientemente construídos, tornando-os caricatos. O livro tem um narrador onisciente, mas por algum motivo inexplicável, o autor decidiu colocar várias informações importantes a respeito do passado da cidade e dos personagens no meio dos diálogos, que acabaram soando absolutamente falsos. As revelações sobre as mortes que acontecem na cidade (12 no total) e outras “surpresas” ao longo da narrativa são fantasiosas demais, soluções quase pueris. Enfim, não rolou pra mim MESMO.

Mini-resenhas dos livros: Sua alteza real (Thomas Mann) e Carrie (Stephen King) | Não Me Mande Flores

3. Sua alteza real, por Thomas Mann – tradução de Luís S. Krausz
344 páginas • título original: Königliche HoheitCompanhia das Letras

Um mergulho na história do (fictício) grão-ducado de Grimmburg, uma dinastia decadente, cujos cofres monárquicos se encontram vazios, sem o mínimo do capital necessário para manter as estruturas do Estado. Klaus Heinrick, um dos príncipes-herdeiros, vive protegido dos problemas reais do povo e se sente cada vez mais sufocado pelo ritualismo vazio da sua existência. A chegada de um bilionário americano na região ~ e de sua excêntrica e sarcástica filha Imma Spoelmann ~ expõe o príncipe a uma nova mentalidade e a um novo tipo de poder, baseado não na dignidade e na nobreza inata e sim no pragmatismo do mundo materialista. A narrativa é riquíssima em detalhes, do cotidiano da corte aos pormenores da sua precária situação econômica. E o forte do livro é justamente esse, uma vez que o desenrolar da história é bem previsível e a grande dúvida/pergunta que acompanha o príncipe é até anunciada nas sinopses e resumos: seria um casamento fora do círculo aristocrático a solução para a ruína do Estado? Eu gostei da leitura, mas não tanto quanto a leitura do seu livro anterior, Os Buddenbrook, que eu achei mais fluido e mais cheio de eventos memoráveis.

4. Carrie, por Stephen King – tradução de Regiane Winarski
208 páginas • Suma de Letras

A vida não é fácil para Carrie White. Oprimida pela mãe, uma fanática religiosa que faz questão de isolar a filha de todo e qualquer tipo de diversão e prazer, Carrie não se sai muito melhor no ambiente escolar. Tímida e recatada demais para os padrões adolescentes, ela sofre bullying constante e as coisas só pioram quando ela tem a sua primeira menstruação tardia (aos 16 anos) em pleno vestiário e pensa que está com uma hemorragia interna. Esse episódio humilhante, mas aparentemente inocente, vai desencadear uma série de eventos irreversíveis na vida de Carrie e de todos ao seu redor. Isso porque a jovem possui um poder que ninguém (além de sua mãe) tem conhecimento: ela é telecinética, ou seja, consegue mover objetos com a força da mente. Romance de estreia de Stephen King, o livro foi adaptado em 1976 para o cinema; o filme foi dirigido pelo Brian de Palma e tem a fantástica Sissy Spacek como Carrie. Talvez por eu ter o filme super fresquinho na minha memória, não me empolguei tanto com a história ~ já que eu sabia exatamente o que iria acontecer em seguida. A parte final (os eventos depois do baile de formatura) me surpreendeu mais, justamente por ter mais detalhes e um desdobramento não explorado em sua totalidade no filme. Fiquei surpresa ao descobrir que a personagem é descrita como robusta e grande parte do bullying que ela sofre tem (também) a ver com o seu peso. Até entendo o casting da Sissy Spacek (que é a CARA da magreza) como Carrie por conta do seu talento e fama na época, mas porque não respeitar a descrição física da personagem na capa do livro em PLENO 2022? Fica a pergunta.

Me contem o que vocês andam lendo de bom!
Confira outros títulos na Bibliolove – a biblioteca virtual do blog. :)

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La fille avec des Roses

La fille avec des Roses (detalhes), François Boucher • 1760s

La fille avec des Roses (detalhes), François Boucher • 1760s

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Mais sobre François Boucher no Google Arts & Culture.
via Bitter, Bitter, Better, via Détails.

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Sézane – ‘Je ne sais quoi’ para todos

Sézane - CONRAD T-SHIRT | Não Me Mande Flores
Sézane - JUNE BASKET | Não Me Mande Flores
Sézane - AURORA DRESS | Não Me Mande Flores
Sézane - OLYMPE LOW SANDALS | Não Me Mande Flores
Sézane - CHLOÉ SHIRT | Não Me Mande Flores
Sézane - HEART SOCKS | Não Me Mande Flores

A ideia por trás da marca francesa Sézane é simples: criar peças de alta qualidade e corte perfeito, que possam ser usadas para sempre. Não sei se a durabilidade procede, só sei que, a cada nova coleção, a marca me deixa mais encantada. Sem dúvida, très chic.

Qual foi a sua peça favorita?

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Sézane website & instagram.

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Manual do Minotauro

Manual do Minotauro, Laerte - resenha do blog Não Me Mande Flores

Que maravilha poder ler todas as mais de 1500 tiras da incrível Laerte publicadas entre 2004 e 2015 de uma só vez, reunidas num belo livro. E o melhor: em formato grande o suficiente para valorizar o trabalho da artista (21 x 27 cm), sem tornar a leitura desconfortável.

Eu digo “de uma só vez” porque a minha experiência foi exatamente assim. Depois que comecei, não consegui mais parar. As tirinhas do Manual do Minotauro, são realmente impressionantes. São engraçadas, polêmicas, políticas… às vezes tudo isso ao mesmo tempo. Vivem envoltas numa aura de poesia e de liberdade, uma vez que Laerte decidiu deixar para trás as suas tão famosas personagens e, junto com elas, a necessidade de um roteiro pré-estabelecido e de uma gag final.

Mas esse também é um livro que pode ser lido aos poucos, dando o tempo necessário para cada tirinha penetrar fundo na alma e no coração.

Manual do Minotauro, Laerte - CAPITALISMO

Capitalismo

Me impressiona a capacidade da artista de brilhar em diferentes formatos e em diferentes temas, mas são as suas tiras de crítica social que mais mexem comigo. Elas são devastadoras e refletem a comicidade e o absurdo do mundo em que vivemos.

Manual do Minotauro, Laerte - GÊNERO

Gênero

“Ali pela virada do milênio senti chegar, entre insegura e ouriçada, o momento de explorar novas possibilidades. Falo da vida em geral, mas também do meu trabalho. O modo como vinha criando histórias – principalmente as tiras – me soava esgotado, como expressão pessoal. Eu queria mudar.” Laerte

Essa mudança na vida da Laerte se deu de forma realmente universal. Além dessa transformação na sua maneira de trabalhar as tiras, em 2010 a artista passou a se identificar como mulher transgênero.

Manual do Minotauro, Laerte - NORMALIDADE

Normalidade

O livro está realmente muito bonito. Não é uma leitura super leve: tratar de questões humanas não é um exercício fácil, uma vez que a abordagem tende a ser dolorida (e, por vezes, até pessimista). Mas o mergulho vale MUITO a pena.

Para quem tiver interesse na Laerte, para além das tiras, recomendo também assistir esse bate-papo da artista com a autora e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, em que elas conversam sobre o projeto do livro e outros assuntos relevantes/interessantes.

Manual do Minotauro, por Laerte
416 páginas • Quadrinhos na Cia.

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Blonde por Cj Hendry

Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry
Blonde by Cj Hendry

Blonde é a oitava exposição solo da artista hiper-realista Cj Hendry, que explora as perucas como linguagem visual através de seus meticulosos desenhos criados APENAS com lápis de cor. O seu processo é realmente fascinante e o resultado final impressiona demais (imagina ao vivo!).

∴ info ∴
Cj Hendry website & instagram.
via TRENDLAND.

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